Ola! Eu sou a monica! Escrevo porque quero falar, aliás adoro falar! Escrevo porque quero que me ouçam. Talvez as minhas historias nao sejam muito interessantes, talvez só esteja a ocupar espaço, mas conto na mesma porque gosto de o fazer

06
Dez 09

(ponham a musica enquanto lêem - vídeo a baixo)

Pelo título dá para perceber que há quatro meses aconteceu alguma coisa, mas todos os dias acontece alguma coisa e nós não vimos a correr escrever posts sobre o senhor que encontrámos no supermercado ou sobre o taxista psicopata!

O que aconteceu há quatro meses foi algo que me marcou muito e que no momento mal me apercebi do impacto real do que se estava a passar.

Há quatro meses eu passei acordei no hospital, depois de uma noite mal dormida num sofá, acho que já deu para perceber que a doente não era eu, mas para quem não tinha percebido, está esclarecido.

Bem tinha chegado há três dias de viagem, a situação da minha mãe tinha se agravado drasticamente, podiam ser horas, podiam ser dias, mas o seu destino estava traçado. A primeira noite, dormi em casa. As duas seguintes no hospital.

Há quatro meses atrás estava eu quase a sair do hospital para vir a casa tomar banho e mudar de roupa, quando ela começou a parar, devagarinho, susteve a respiração duas vezes; costuma-se dizer que à terceira é de vez e aqui a terceira foi para sempre. A enfermeira que tinha chegado nesse momento, limitou-se a dizer: ela parou. 

E foi assim, de uma maneira tranquila, serena, que três anos depois de tudo ter começado, tudo acabou. Foi assim, que ao fim de três anos a doença ganhou e o corpo vencido, cansado, exausto acabou por ceder a uma derrota certa.

Sai disparada do quarto para o estacionamento, se tivesse carro tinha fugido dali, mas como estava no meio do nada limitei-me a ficar ali e olhar o rio lá longe. Lembro-me das senhoras da recepção a olharem para mim, não é comum existirem pessoas da minha idade naquele sítio a passarem pelo que eu estava a passar.

Mas rapidamente, o meu direito a sofrer em paz acabou, a minha tia veio atras de mim e ficou a chorar na outra ponta do estacionamento. Eu tive que limpar as lágrimas e ir lá. Foi o momento em que tive que me armar em forte e usar forças que não tinha, nem queria ter.

Chegou a altura de avisar as pessoas, que o momento tinha chegado, só o primeiro telefonema é que foi dificil, as palavras não saiam, mais um ou dois, embora mais fáceis, percebi que era impossível falar com toda a gente: mandei mensagens.

Foi uma correria de mensagens, de tratar das coisas, mudar de roupa (eu já tinha comprado a roupa para o funeral) e voltar a casa.

Depois começou o velório o corropio de pessoas a entrar e a sair, os sorrisos, as conversas, as pessoas que eu nem fazia ideia quem eram. Estavamos de ferias, mas mesmo assim a maior parte dos meus amigos estiveram lá para me apoiarem.

Foram dias tristes, mas eu nao tinha muito a noção das coisas e eu nao tive tempo para fazer o meu luto. Tive que me fazer forte, nao quis admitir ( e nao quero) quando estou desfeita por dentro.

E acho que só agora é que começo a ter a real noção do que aconteceu, talvez pelo natal nao sei, talvez pelo tempo que já passou.

Sinto-me triste, sei que nunca mais vou voltar a vê-la, nem abraçá-la, sei que  nunca mais vamos conversar, que nunca mais vou ter aqueles mimos e aquela preocupação.

Há quatro meses eu passei a ser a filha de ninguém.

 

 

Mónica vidademonica às 16:38
música: morte; mae; triste; sofrer

Opiniões:
Acho que não ha nada que possa dizer...
Vai ser o primeiro texto que vou adicionar aos favoritos, se nao te importares claro.
Beijinhos. Adoro-te
Sandy a 6 de Dezembro de 2009 às 18:19

Bem , fizeste-me chorar .
Aconteceu mais ou menos o mesmo comigo , nao foi a minha mãe mas sim o meu pai à 3 anos e 8 meses . A minha mãe entrou em estado de choque e eu tambem tive que tratar de tudo (inclusivé do meu irmao que apesar de ser pequeno na altura ja percebeu algumas coisas) e avisar toda a gente , nao consegui chorar durante uns tempos e com o passar do tempo tudo se tornou mais dificil , mais saudades ... comecei a mostrar-me menos forte , comecei a mostrar a minha debilidade que esteve sempre presente mas ate uma certa altura andou camuflada . Passado este tempo ainda tenho alturas que me vou completamente a baixo , mas sao fases .. Creio que tudo isto me fez mais forte , passei a ver a vida de outra forma , e depois temos sempre os amigos que estão la para nos dar força :)

(desculpa o testamento e de ter falado tanto de mim mas consegui ver-me nesse texto)

Beijinho , espero que fiques bem :)
Joana a 8 de Dezembro de 2009 às 17:46

Agradeço muito o teu comentário, é bom saber que não estamos sós nestas coisas.
Obrigada mesmo.
Gostava de saber se tens algum blog? se tivesses gostava que me dissesses qual é para eu poder passar por lá.
Beijinhos

nao , nao tenho , simplesmente vou passando por alguns blog's e vou lendo :)

Sim, sabe bem saber que nao somos as unicas
Joana a 8 de Dezembro de 2009 às 18:06

Meus Deus nem sei o que dizer, este post fez-me chorar :x
Força minha querida !
Um suspiro a 13 de Dezembro de 2009 às 11:44

Achei especial este post porque também se identifica comigo.
Porém o meu pai não estava doente. O que piorou ainda mais a situação. Estava tudo bem e de repente o mundo desabou. Eu estava no final do 10º ano, íamos passar férias como sempre em família, foi um choque para todos em nosso redor.
Sempre foi com ele que me dei melhor, (eu e a minha mãe nunca fomos muito compatíveis de feitios), era o meu ídolo e continua a se-lo.
Agora a minha mãe já passou a depressão e continuamos a nossa vida.
Com muita saudade mas temos de seguir em frente.

Um grande beijo para ti *
Mara a 18 de Dezembro de 2009 às 17:30

Minha cara,

escapei desse cenário há alguns anos, fui por pouco.

Amanhã vou levar a minha mãe a passear e lembrar-me-ei de si, da sua dor e da minha sorte.
css a 28 de Dezembro de 2009 às 22:29

Espero que corra tudo bem com a sua mãe. Felicidades
Beijinhos

Obrigada Mónica,

Felizmente o linfoma da minha mãe encontra-se em remissão. Faço figas que assim continue por muito tempo.

Um forte abraço,

Cristina
css a 30 de Dezembro de 2009 às 10:20

Também ficarei a fazer figas pela sua mãe
Força para lutar
vidademonica a 30 de Dezembro de 2009 às 14:23

Este texto fez-me chorar...
Não são precisas palavras a rimar ou frases a soar, o importante é mesmo escrever o que nos vai na alma com a maior da sinceridade. Posso dizer-te que ganhaste uma admiradora, pois apesar de não saber o que estás a sofrer, conseguiste transmitir o que te estava a acontecer.
Força :)
Semprenamoda a 9 de Janeiro de 2010 às 22:15

estou no teu blog e ja e o segundo post c que me identifico...ha quatro meses que tambem perdi alguem muito querido..o meu tio era um pai para mim porque nunca me dei com o meu pai...so passei uma noite no hospital foi a ultima...foi muito duro e ainda hoje nao acredito...todos os dias e ele que me faz ter forças...tive de ser forte por causa dos meus primos...estou debilitada mas esta camuflada pois ninguem se apercebe..
obrigada
Anónimo a 19 de Junho de 2011 às 17:29

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